Nada será como antes

Milton Nascimento

Eu já estou com o pé nessa estrada
Qualquer dia a gente se vê
Sei que nada será como antes, amanhã
Que notícias me dão dos amigos?
Que notícias me dão de você?
Alvoroço em meu coração
Amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol
Num domingo qualquer, qualquer hora
Ventania em qualquer direção
Sei que nada será como antes, amanhã
Que notícias me dão dos amigos?
Que notícias me dão de você?
Sei que nada será como está
Amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol


Estou num momento em que o olhar está fixo no umbigo. Tenho motivos, é claro. Ainda assim, umbigo é chato pra caramba. Prefiro dar a vocês Milton e esta bela letra. Letra que foi feita nos anos de chumbo e que fala alto do meu passado. Letra também que me fala de agora. Nada será como antes, amanhã. Mas na boca da noite sempre existe um gosto de sol.
Estarei curtindo este gosto até que o sol brilhe alto. Tomara que seja um tempo sem demora.
Enquanto isso, fiquem com meus beijos. E o desejo de belos dias.

Ao som de violinos

(Texto para o concurso sobre o 1º Encontro de Blogueiros)

Onde é que ficam guardados os sonhos?
No tempo da delicadeza, quando eu ainda não tinha um metro de altura, achava que havia um baú onde os nossos desejos ficavam aguardando a mão de peter pan ou a varinha de condão de uma fada qualquer. Com os centímetros me alongando e a esperança mudando de cor, descobri que desejos embauzados não se realizam. Desesperei. Tanto que saí atropelando os sonhos. Quanto mais eu corria, mais eles aumentavam - não sei se por gulodice minha ou por piscianice. Um dia, por algum milagre insondável, achei a medida certa. Passei a desejar profundo, contabilizar realizações e multiplicar esperanças.
Há uns seis ou sete anos, com os amigos de muitos verbos e nenhuma carne, um desejo vem crescendo: juntar todos. E seriam tantos que teria que ser num campo de futebol. Bem grande. Tipo mineirão ou maracanã. E transformar o gramado numa puta festa. Olhar nos olhos aqueles que fizeram e fazem parte do meu cotidiano de escrevinhadora. Abraçar com braços e coração aqueles que trocam letras, esperanças e sentimentos na telinha. Admirar com olhos de carinho os tantos que me encantam com sua poesia, em verso ou prosa. E me apaixonar ainda mais pelo ser humano!
Sonhos que se sonha só, são sonhos que se sonha só, diria Raulzito. Acreditando em meu ídolo, passei aos sonhos que se sonha junto. E de tanto buscar este desejo, encontrei vários parceiros na vontade da realização. Alguns, completamente desconhecidos. Nestes, guardo todas as expectativas. Outros - companheiros de flores, espinhos e amores - a quem reservo mãos, braços, pernas e toda a falação que couber em dois dias. E o grande organizador deste sonho, este que buscou parcerias efetivas e fez de São Francisco do Sul nosso ponto de partida para outros e novos vôos.
Não haverá mineirão, nem maracanã, nem gramado alegremente pisado. Não será o sonho completo. Ainda faltará atravessar ares e atlânticos, sertões e todas as fronteiras que formam este grande país. Ainda ficarão faltando carinhos a serem trocados, mãos a serem unidas. Mas este será o primeiro passo. E haverá festa. Muita festa. A beleza natural de Santa Catarina emoldurando sorrisos. E as obras da parceira-irmã Beti Timm. E o ressurgimento da Loba em versos. E toda alegria que couber nesta expectativa que rouba imaginação e minutos do meu dia-a-dia.
E ainda me perguntam por que é importante participar deste encontro? Isso lá é pergunta que se faça a uma blogueira encantada com interação, letras e paixão? Vou em busca de voar pelo teto, óbvio! E que os telhados sejam feitos de violinos vazando sons sobre todos nós!



***

Porque vou cuidar para continuar maravilhosamente saudável e muito gulosa e toda encantada, ficarei fora durante alguns dias. Mas sempre que possível, estarei por aqui, por ali, por acolá.

Um grande beijo a todos e ótimos dias.

Tulipa roxa

(mistério trazido lá do Zumbi e misturado às minhas alucinações. se preferir, pule direto pro texto anterior. é mais interessante)

Antigamente perdia o chão. Agora perco o teto. Ando chão por demais. O teto anda longe, muito longe dos olhos dos meus dias. Como longe anda minha inspiração. Uma revolução anda se formando nas minhas vontades. A parte fálica quer se entregar ao todo messianismo da tulipa roxa. Posso imaginar tua cara de quem não sabe o que é isso. Também não sei. Sei que é mistério perseguido pelos homens. O que me faz pensar em uma profundidade afrodisíaca colorida de uva. Que gosto terá isso? Gosto de moulin rouge? Não quero levantar teses. Nem pensar em hipóteses. Penso em violinos no telhado. O som vazando pelo teto num convite à cama. Eu gueixa me entregando ao prazer de dar prazer. Mãos e bocas na avidez de ofertas e a calmaria na insubmissão. E o cálice se aprofundando na colheita do branco e seus prazeres. Desejos. Fuga desta realidade que achata as curvas da vida. Fica tudo tão linear que mais parece um stradivarius sem cordas pendurado na parede. Vou tomar banho. Depois navegar pelos nadas. Quem sabe hoje alcanço o teto. Ou me entrego de vez à vontade de tulipa roxa.


***

Beijo.

BlogBlogs.Com.Br

Concurso de Produção de Texto

Dia destes, num destes posts passados, eu disse isso:
Sabe aquele sonho de olhar nos olhos quem faz parte do nosso dia-a-dia? Isso pode ser realidade. Podemos nos sentir, nos curtir e ainda participar da exposição das obras de Beti Timm e do lançamento do livro da Loba.

Estava fazendo um convite para o 1º Encontro Nacional de Blogueiros. Mas parece que não sou muito boa em marketing. Então hoje vou voltar a falar. Agora de uma nova vertente que se abriu!

Você já pensou em participar deste encontro inteiramente de graça? É possível. Mas para isso você terá que se inscrever no Concurso de Textos que os patrocinadores do evento estão fazendo. Eis as informações:

Inscrição: qualquer pessoa pode participar, desde que tenha um blog. Não há taxa de inscrição, basta inscrever-se no BLOG DO BETHO. Deixe lá seu nome, o endereço do seu blog e quando pretende publicar seu texto.
Tema do texto: Porque pra mim é importante participar do 1º Encontro Nacional de Blogueiros.
Tamanho: no mínimo 25 linhas
Período: de 25 de setembro a 10 de outubro às 17 horas
Publicação: no blog individual do participante
Prêmio: passagens aéreas de qualquer lugar do país (ou de ônibus para quem mora próximo a São Francisco do Sul), traslado do aeroporto ou rodoviária para a pousada e vice-versa, hospedagem, transporte para os eventos agendados, alimentação e participação em todos os eventos.
Comissão Julgadora:
José de Arruda Almeida Filho - Profº de língua portuguesa-SP
Maria dos Santos Rodrigues Paiva - Profª de Ciências da Informação - SP
Ricardo Lima Sobrinho - Publicitário - SC
Wanderley Pires Raulino - Profº de Comunicação - SC
Adelaide Martinez Fraga - Profª de Informática - MG
Adalto Freitas Filho - Profº de língua portuguesa - MG
Glória Maria Pereira - Jornalista - RJ
Hamiltom Guimarães - Jornalista - RJ
Hugo Weiss - Jornalista - RS
Claudete Freivang Motta - Profª de Comunicação-RS
A Comissão Julgadora visitará cada blog inscrito e fará sua escolha levando em consideração o tema, a correção ortográfica e gramatical, a estruturação e literariedade do texto.

Fala a verdade: não vale a pena participar? Vou nessa, claro! E quero muito ter você comigo. Esqueça a autocrítica e arrisque! Quem não arrisca não petisca, né?

Agora, minha justificativa: sabe por que estou insistindo tanto neste encontro? Porque quero muito olhar nos olhos e abraçar e beijar e tagarelar dois dias com você. É, com você mesmo. Você que troca palavras comigo, que escreve textos que mexem comigo, que comenta os meus textos ou você que apenas me lê em silêncio. Imagina o quanto será bom falarmos sobre tudo que nos vêm à cabeça quando lemos os textos um do outro. Ou o que nunca temos oportunidade de dizer. Ou fazer. Ou sentir.

Enfim, estou contando com você. Se tiver alguma dúvida, me escreva: euzapn@uol.com.br. Ou telefone. Ou venha aqui!


Beijos muitos.

Sentires

Um dia ele chegou com um peixe nas mãos. E se ofereceu pra descamá-lo e levá-lo à mesa. Me perdi ali, contemplando mãos enormes deitando delicadezas na carne branca. Mãos muito mais ágeis que as minhas. No rosto, um sorriso de felicidade insuposta. Preparar o alimento, servi-lo, sentar-se junto para comê-lo teve um quê de orgasmo. Como se parte da vida estivesse fluindo ali. E fosse levada pra cama com a satisfação garantida.

***

Da despedida escorriam sentimentos insuspeitos. Olhávamos um ao outro. Parecia que olhar não bastava. Era um contemplar contínuo, como se piscar fosse perder a vida. A vida daquele instante. Não havia dor. Havia a evaporação do coração.

***

Mal entrei, vi a menina. Únicos olhos fora dos óculos escuros. Olhar perdido no fundo do salão. Sem ver ninguém. Talvez nem à sua dor. Perder mãe é uma ficha que demora a cair. Perder mãe é um desvio de rota quase fatal. É injusto que num coração pequeno tenha que caber tanta falta. Mas ela, como eu, seguiria seu caminho. E aprenderia que amor não é dado de graça. Só amor de mãe.



***

Permanecem os convites do post passado. E meu entusiasmo com o primeiro filho de papel!

Super beijos.

*de pedras e de mim

gosto de frases tontas
doentes de pedras
da fala

gosto que assanhem borboletas
lagartos e pontes
em caminhos de nadas

gosto que se enrosquem
e sejam o tudo
nos desertos de mim


*(Continuo caminhando e cantando e comendo e brincando com palavras alheias. Outra vez o Bosco assanhou qualquer coisa em mim. Vale a pena se deixar contaminar por ele. Eu garanto!)

***

Vou refazer dois convites:

Pão e Poesia – seja presença, alento, alimento no café da manhã de muitas famílias. É de graça. Basta ter um gesto de poesia. Aqui.

Encontro Nacional de Blogueiros – sabe aquele sonho de olhar nos olhos quem faz parte do nosso dia-a-dia? Isso pode ser realidade. Podemos nos sentir, nos curtir e ainda participar da exposição das obras de Beti Timm e do lançamento do livro da Loba. Aqui.

***

Mil beijos. Café e pão de queijo!

Sentidos Gozosos

A Loba não morreu?
Que eu saiba, foi-se! E deixou até epitáfio!
Mas para uns (como o Zequinha diz no texto anterior) ela não está esquecida. Para estes uns ela revive. Em livro.


Sentidos Gozosos é a reunião dos poemas eróticos que fizeram o tempo da Loba. É dedicado a todos que com ela interagiram, com citação nominal de suas grandes e mais antigas paixões, masculinas e femininas. Tem arte da capa feita por Beti Timm, parceira-amada-irmã, prefácio de Linaldo Guedes e contracapa de Wilson Guanais – dois poetas-musos e paixões eternas da Loba.

O livro começa com a Loba se apresentando:
sou lua
- nua –
em quarto-crescente
(não sei se de saturno
ou grávida de tesão)

Tece erotismo em várias páginas e lá pelas tantas diz:

anal

adaga afiada
no suco
dos meus espasmos
é pássaro fálico

transforma em trinados
quentes
líquidos
orgásticos
os gritos da carne

E finaliza:
epitáfio

na pouca placidez das letras
na louca lucidez da luxúria
jaz a musa
pássaro-fêmea dos voos poéticos

amou
profanou
voou

pousou no teto do poema

Pensa que é só? O livro vai ter lançamento, claro! Ainda não está confirmado, mas provavelmente será aqui:


Importante: independente do lançamento, o encontro acontecerá! A programação está AQUI e maiores informações no Blog do Betho - organizador e grande incentivador do evento.

Vamos nessa???

***

Beijos e carinho!

De cores e animais


Dizem que todos os animais, os irracionais e os conhecidos como racionais, têm suas cores de preferência e as que os representam. Eu sempre disse que a minha cor era o vermelho; pelas preferências pessoais, pelas coincidências que sempre a colocaram em minha vida e até mesmo pelo meu signo astrológico, Áries, que é o Deus da Guerra - ou Marte - o planeta vermelho. E também as pessoas importantes em minha vida, de alguma forma, sempre se apresentaram ligadas a ela.
Dizem também que todos os animais (os irracionais e nós, que nos autodenominamos racionais) têm seus animais totêmicos - animais que os representam em suas vidas. No meu caso, sempre me senti dividido entre dois: o cavalo e o tigre - ambos pela coragem, pela combatividade e pela elegância do porte. Não que eu carregue comigo esses predicados! De alguns anos para cá, embora sentisse crescer minha admiração pelo lobo, caçador inteligente, astuto e corajoso, não consegui senti-lo como um dos "meus animais"; pelo contrário, sempre admirei suas qualidades relacionadas especialmente a uma grande pessoa, que pouco a pouco foi conquistando enorme importância em minha vida. E que, como eu, também fez do vermelho a sua cor de referência.
Durante muito tempo ela, seu animal totêmico e sua cor de referência se confundiam e se mostravam ao mundo através das faces da Loba, que com sua força foi se impondo e assumindo todos os papéis (pelo menos aqueles que eram mostrados ao público). Cansada dessa imagem ela resolveu dar um basta e liquidar de vez com esse inteligente, astuto e manhoso animal, dando a conhecer a mulher que carrega consigo todos os predicados humanos, animais e de sua cor de referência.
Assim ficamos privados do vermelho e da Loba! Nada perdemos, pois ainda a tínhamos conosco e a essência individual jamais será mudada.
Ela nos ofereceu um delicioso recanto, com livros e um aromático café, onde poderíamos privar de deliciosos momentos com um pouco de tudo... até mesmo um pouco de bobagem (embora eu não tenha encontrado nenhuma por lá).
Ela só não contava com o animal totêmico da Loba: a fênix!
O gostoso recanto onde parávamos para um café e um papo, foi sendo tomado, pouco a pouco pelo vermelho! Primeiro foram as letras: vermelhas sobre fundo branco. Ficou bonito, eu sei! Todos gostaram! De certa forma, elas ainda nos lembravam a Loba. Agora, o vermelho tomou conta da recepção, onde tínhamos uma pequena estante com alguns livros e o café quentinho e cheiroso que iria nos reconfortar. Hoje encontrei uma espessa cortina vermelha... sinal de que a fênix não permitiu (mais uma vez) a morte da Loba! Ela está lá, eu sei!
Guerreira astuciosa, ela não se esconde, mas se camufla atrás do vermelho, deixando, entretanto, seus sinais, suas marcas, que todos nós podemos reconhecer. E através deles sabemos que ela ainda luta para retornar. Talvez modificada, talvez não se impondo sobre a Euza, talvez em seu próprio espaço. Mas ela ainda está lá, eu sei! O meu cavalo escoiceia o ar e o meu tigre se assanha, ansioso e inquieto quando a pressentem.

Zeca - Blog (in stand by) Janelas do Zeca




Amei receber este texto - exatamente assim: com fundo vermelhão. Por ter sido escrito por um amado, por ser um belo texto, porque vermelho é o meu sangue e por lembrar-assanhar um tempo de paixão. Então, por ter amado tanto, fiquei cá a pensar: será que esta tal Loba vai criar asas e virar fênix? Quem sabe isso quer dizer amor! Vai saber...

Um beijo e todos os perfumes de uma florida semana.