....Minas é também enchentes, descasos governamentais e tudo o mais que se costuma ver nos noticiários do nosso Brasil de norte a sul.
Dia destes uma queda de barreira na principal rodovia do sul de Minas nos fez desviar e pegar uma estradinha vicinal. Chegamos sem querer a uma cidadezinha qualquer. O que vi lá não foi pior do que já vi muitas vezes pela tevê. Talvez tenham sido os olhos que me olharam. Os olhos contam histórias. E os olhos daquela gente deixaram meu coração pequenininho, a inquietação germinando nos poros.
Era uma gente que se ajuntava toda na escadaria e porta da igreja. Bem no meio da praça. As intimidades emocionais sendo desnudadas, o particular tomado pelo desespero coletivo. Uns ajudando aos outros com o nada que lhes sobrou, outros apenas existindo ali, como sombras do que poderiam ter sido.
Um único carro oficial ia e vinha várias vezes, aumentando o agrupamento na escadaria. Cachorros zonzos, colchões enlameados e uma tralha irreconhecível, que antes deve ter sido roupas e utensílios domésticos, aumentavam o caos na pracinha. O padre, lá no alto da porta da igreja, tentava gestos que pareciam ser de aconchego – mas que eram muito pouco pra quem havia perdido até o que não tinha.
Saí de lá muito mal. A impotência talvez seja a maior das frustrações. Dias depois soube que a situação naquela região havia piorado e que as cidades estavam ilhadas – inclusive esta. Não é preciso falar do sofrimento, da dor daquela gente. Nem é preciso lembrar que parte destas tragédias poderia ser evitada.
Também aqui no Sul de Minas, a região mais economicamente acelerada, mais ecologicamente correta e mais tucana de todo o estado, os governos priorizam as obras de visibilidade em detrimento do trabalho invisível e necessário das sábias formiguinhas.
E as cigarras continuam cantando, porque eleger-se é preciso!
Dia destes uma queda de barreira na principal rodovia do sul de Minas nos fez desviar e pegar uma estradinha vicinal. Chegamos sem querer a uma cidadezinha qualquer. O que vi lá não foi pior do que já vi muitas vezes pela tevê. Talvez tenham sido os olhos que me olharam. Os olhos contam histórias. E os olhos daquela gente deixaram meu coração pequenininho, a inquietação germinando nos poros.
Era uma gente que se ajuntava toda na escadaria e porta da igreja. Bem no meio da praça. As intimidades emocionais sendo desnudadas, o particular tomado pelo desespero coletivo. Uns ajudando aos outros com o nada que lhes sobrou, outros apenas existindo ali, como sombras do que poderiam ter sido.
Um único carro oficial ia e vinha várias vezes, aumentando o agrupamento na escadaria. Cachorros zonzos, colchões enlameados e uma tralha irreconhecível, que antes deve ter sido roupas e utensílios domésticos, aumentavam o caos na pracinha. O padre, lá no alto da porta da igreja, tentava gestos que pareciam ser de aconchego – mas que eram muito pouco pra quem havia perdido até o que não tinha.
Saí de lá muito mal. A impotência talvez seja a maior das frustrações. Dias depois soube que a situação naquela região havia piorado e que as cidades estavam ilhadas – inclusive esta. Não é preciso falar do sofrimento, da dor daquela gente. Nem é preciso lembrar que parte destas tragédias poderia ser evitada.
Também aqui no Sul de Minas, a região mais economicamente acelerada, mais ecologicamente correta e mais tucana de todo o estado, os governos priorizam as obras de visibilidade em detrimento do trabalho invisível e necessário das sábias formiguinhas.
E as cigarras continuam cantando, porque eleger-se é preciso!
Euza minha querida, feliz por te reencontrar, poder te ler novamente.
ResponderExcluirTeu texto e simples e direto, a mim, depois de ler, cabe uma única pergunta: Quando chegará o dia da da humilde formiguinha?
Beijos grandes!
Miguel
Olá, Euza!
ResponderExcluirEstamos recolhendoos frutos que plantamos.
Todos nós,infelizmente,somos responsáveis, de uma maneira ou de
outra.
São Paulo,Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e tantos outros estados estão sofrendo a reação da natureza pelos maus tratos que dispensamos a ela.
Lamento imensamente ver tantas vidas destruidas pelas chuvas ou pela estiagem.
Que Deus tenha piedade de todos e também de nós.
Valeu, Euza!
Muita paz! Beijossssssss
Euza,
ResponderExcluirestou amando vir aqui e sentir esse cantinho todo mineiro, esse jeitinho de se expressar de um jeito bem claro, e, embora fale da tragédia que afeta as pessoas, o tom chega aos meus ouvidos como uma reflexão, um alerta para que acordemos.
Abração,
de mineirice para mineira.
Feliz tb por te ler.
ResponderExcluirE há quantos séculos construímos cidades ribeirinhas?
Com elas poluimos tudo, degradamos tudo... preparamos esse cenário de tragédia.
Mudar tudo, repensar tudo, viver de forma solidária e sustentável, eis o nosso desafio.
Abraço fra/terno.
A rainha conheceu a dor, a miséria e a pobreza econômica e emocional dos seus súditos.
ResponderExcluirPois é, dói, meu amor.
Mas você não tem culpa de ser maravilhosa.
O inferno são os outros.
Beijo.
Além da tristeza, associa-se um desânimo, esse é igualmente preocupante, porque mina as nossas forças e arrasa com a nossa esperança...
ResponderExcluirBeijo!
Pois é... o bom da volta é o reencontro com os amigos e a saudade que se vai... Muito bom te ter de volta!
ResponderExcluirÉ... o pior que este pesadelo se repete ano após ano, e como as autoridades não se preocupam de fato com a população usam de paliativos para amenizar os problemas, porém as mortes, perdas materiais e emocionais continuam a acontecer...
Beijinhos...
É, minha amada D'Euza!
ResponderExcluirEntretanto, percebemos que em outros estados deste Brasil imenso, com estrelinhas, pombas da paz e outros símbolos, também ocorrem desgraças, catástrofes que ceifam vidas e levam até o que as pessoas não têm. A mim, parece que todos (sem excessão) os partidos políticos se preocupam apenas com as eleições, ou reeleições. Ao povo? Os humores da natureza!
Beijos.