Algumas dores são sempre desestruturantes. Perder um ente querido é uma delas. Não apenas pela perda em si, sobretudo pelas outras perdas que vêm com ela. Perda de certezas, perda de planos, perda de parte de nós - por menor que seja.
Nunca estamos preparados para perder. Este é um verbo que não conjugamos – talvez por medo de encará-lo de frente. E por não estarmos preparados, mesmo as perdas anunciadas criam um abismo em nós. As perdas que não se anunciam, estas que nos abalroam, nos fazem literalmente perder o chão. E nos sentimos em queda livre. O mundo parece girar em sentido contrário. As vontades viram pássaros nórdicos - mudas. Viramos sobreviventes dos minutos. Cada um deles nos parece tão imenso que a eternidade se faz presente. Uma eternidade nebulosa. Difícil de ser rompida.
Enquanto isso, a vida nos cobra atitudes. São outras pessoas que dependem da nossa força, é o trabalho que nos olha com cara feia, é a poesia que tumultua nossa alma. Olhamos para tudo isso como se estivéssemos prestes a ser massacrados. Não há força para o primeiro passo. Mas é preciso haver. E fingimos ter o que há muito perdemos.
Este esforço quase sobre-humano não nos ajuda. Parece que só nos debilita – nós que um dia nos sentimos super-homens. E vamos nos arrastando, como se viver fosse carregar o mundo num universo de dores e alguns rancores. Até que os pés cobram o chão. E acordamos. E descobrimos a necessidade de reconstruir nossa história. Sem o ente querido. Sem as fantasias de eternidade que embalamos. Sem a ilusão de paz e amor e amizade que imaginamos. Sem o dó de nós mesmos. Passo a passo vamos de encontro à vida - porque ela, a vida, não acolhe derrotados. Vamos com uma nova força. A força da sobrevivência. Se não por nós, por quem nos ama, por quem amamos.
Assim, elaboramos o nosso luto. E caminhamos. E redescobrimos a vida. E nos reconstruimos amor.
a vida é sempre urgência e reconstrução, e por mais que isso seja recorrente não nos acostumamos,
ResponderExcluirsaudades
beijo
Loba,
ResponderExcluirtambém tenho lidado com perdas de uns 6 anos pra cá e sinto exatamente isso...
força, querida
é só o que tenho a dizer
um beijo e um abraço afetuosos
Uma matéria tão difícil de entender - as perdas, o tempo -, tanto quanto reconstruir a partir do que em nós resta, do que nos resta.
ResponderExcluirUm beijo e carinho!
Olá, Euza!
ResponderExcluirTudo é pouco quando falamos de nossos entes queridos que se foram antes de nós.
Mas, a vida segue... E temos de seguir com ela, enquanto seres viventes.
Força pra você, amiga.
Muita paz! Beijosssss
PS: Minha mãe se foi, também, para o mundo espiritual, neste último dia 09/10/11.
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ResponderExcluirEuza, surpreso - mas não tanto! - por encontrar um texto teu aqui - afinal, por que vim? - encontro este, que tão bem descreve minhas lutas nos últimos anos, com perdas enormes, algumas tão difíceis de encarar, que parece mais fácil deixar que a vida se esvaia em dores... mas a realidade acaba nos puxando de volta, ao (re)encontro com a vida que nos quer de volta. E, a principio, por inércia, nos deixamos levar... pouco a pouco, porém, o gosto da luta começa a nos fortalecer e a nos preparar para outras etapas ainda...
Percebi que tem mais - vou olhar...
Beijo, carinho, saudade.
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Loba,
ResponderExcluirquanto tempo e logo que apareço encontro em suas palavras uma vestimenta para o meu presente. E tudo é exatamente assim quando alguém se vai: perdemos o chão e ficamos sem norte.
Tiramos força das exigências da vida.
Sei bem dessas dores...
ResponderExcluirForça!
Parece que a vida perde o brilho e nos sentimos sem rumo... à deriva! Para não enlouquecermos, para não nos tornarmos tristes, precisamos nos iludir, encontrar alguma coisa para nos distrair :( Não existe consolo! Beijus,
ResponderExcluira ascensão e a queda são o chão sobre que equilibramos o corpo. e, apesar de tudo, até que nem somos assim tão mal sucedidos. :)
ResponderExcluirbelo blogue!
um abraço!
Loba... o que dizer quando há apenas um silêncio solidário e cúmplice a ser proferido porque o sol se escondeu atrás de sombras - resta esperar a força da nova estação que ajude a superar as dores, a recolher as folhas e a retomar o chão. Coragem!
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