15/01/2012

"Escutatório"

Vinha tendo cada vez mais vontade de voltar a escrever. Uma voz dentro de mim vinha me dizendo que ainda não era hora. Mas eu não atinava com os porquês. E o dia de voltar era sempre adiado e a vontade era sempre acrescida de volumes e a voz era cada vez mais incompreensível.
Anteontem falei com a querida Adélia e virei saudades. E fiquei pendurada como a colher morangos à beira do abismo. Ontem, tropecei com Rubem Alves em outra de suas crônicas. Escutatório. A crônica está neste link, mas antes de você desvendar a sinonímia da palavra-texto, preciso terminar o que vim fazer aqui.
Descobri alguns dos motivos sussurrados e não escutados para ainda não voltar. Ainda não estou preparada para “ouvir” aqueles que vêm aqui me “ouvir”. Ainda não estou preparada para “ouvir” sem tridimensionar meus sentires e meus quereres ao que me é dito no que leio. Condição essencial para ser ouvida é saber ouvir, é saber fazer silêncio dentro de mim – é o que me diz a voz agora límpida. Agora, depois de ter lido Rubem Alves, claro. Mas deve haver outros motivos. Porque sou outras deficiências além dos ouvidos.
E agora que já terminei você também pode ir a A Casa de Rubem Alves e ler Escutatório. E pode deixar que a beleza simples das palavras deste grande educador afie também seus silêncios ou afine seus ouvidos. Eu, por mim, ainda o lerei algumas boas vezes. Acho que fiquei tempo demais escutando a mim mesma.

.

24 comentários:

  1. Oieee...

    Amei o texto escutatório e, agora, devo fazer um pouco de silêncio...
    Você me entende.
    Bom te ver, amiga!
    Muita paz! Beijossssss

    ResponderExcluir
  2. Menina, há quanto tempo!
    Que bom que te encontrei.

    Beijo beijo.

    ResponderExcluir
  3. .


    Fantástico!
    Maravilhoso como o arco-
    íris depois da chuva e o
    fruto postergando a flor.

    silvioafonso





    .

    ResponderExcluir
  4. Saudações, querida Loba
    que bom ver você dando o ar das palavras
    e colocando Rubem Alves, vou lá ler, moço que sempre dá uma luz aos olhos

    beijo grande e muitas delícias pra tod@s

    ResponderExcluir
  5. Saudades, amiga,
    bom te ver, te ler, te escutar...

    Abç fra/terno

    ResponderExcluir
  6. Euza, você escreve lindamente e não demore não porque já diz a sabedoria popular que comer e rezar é só começar... então escrever é só começar! vamos lá? Obrigada pelos seu votos de ano novo e os desejo para ti, igualmente Grande beijo!

    ResponderExcluir
  7. Olha,

    vim agradecer a visita aos lados multiplicados e me deparei com um lindo texto sobre Escrever. Bem, vou voltar, com certeza. O visual do blog tb é lindo.

    Beijo

    ResponderExcluir
  8. Euza querida, essa crônica Escutatório, de Rubem Alves, é uma paulada na moleira de quem não sabe se alimentar de silêncio, como eu. Mas, quem sabe um dia eu aprendo. Enquento isso, vou continuar tagarelando por aí. Meu beijo.

    ResponderExcluir
  9. Conheço, Rubens Alves e uma lição de vida...Fico por aqui seguindo-te.Vou ler seu blog com calma e o que li já amei é bom que vou aprendendo com quem sabe.

    ResponderExcluir
  10. Hola amiga!

    Perfeita suas reflexões e intertextualizações.
    Rubens Alves, é o cara!

    Se solte cada dia mais, as letras são assim: amigas e sempre presente, e falantes, extremamente "falantes", e sabe o que elas buscam: Alguém que as ouça e as repita sem medo.

    Ouça e proclame. Estamos ouvindo.

    Bjs.
    Parabéns pelo blog.

    ResponderExcluir
  11. Eu adoro os livros do Rubem Alves. Eu falando de ver, você falando de ouvir. Parece transmissão de pensamento. A visão é tão egocêntrica, a audição, por outro lado, é inteiramente voltada para o exterior. É preciso estar disposto a ouvir para ser ouvido. A audição é troca. Ler é uma forma de se ouvir. Quem estiver diposto a ser ouvido, sou candidato. Todo mundo tem alguma coisa para me dizer. Beijos

    ResponderExcluir
  12. Euza, eu fico muito feliz por esta volta, embora diga que ainda não está pronta. Adoro Rubem Alves e suas letras, adoro suas letras também, repletas de sentimentos profundos que são tatuados em nossas retinas. Faz tempo que não visito Adelia também. Uma falta grave minha que tratarei de corrigir!
    Fique pronta, escute a si mesma sim, o quanto precisar... Mas, sempre que puder, compartilhe conosco seus sentimentos! Um beijo e obrigada pelo carinho de sempre!

    ResponderExcluir
  13. Voltei para lhe dizer que me confundi com a Adelia, falava de outra, mas valeu por conhecer outra pessoa que escreve com a alma! Um beijo!

    ResponderExcluir
  14. E escutaste-te lindamente!
    E mais... deixaste-te ouvir!
    Tempo e silêncio é do precisamos para nos escutarmos.
    Que linda reflexão.
    Obrigado.

    ResponderExcluir
  15. por falar de afiar silêncios numa linguagem sem código formal, recordo o conto "silêncio", da imortal sophia de mello breyner.
    grande texto que anuncias como não-texto, este teu, euza.
    beijinho!

    ResponderExcluir
  16. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  17. Conhecendo-te os silêncios, estes que gritam em cada pedaço do teu espaço.
    Encantada!
    Bj

    ResponderExcluir
  18. Eu em minhas tantas deficiências... Aprendi após ler você e "Escutatório" que preciso urgente aprender a ouvir! Silenciar em mim o que me impede de doar a minha atenção por inteiro!
    Desejo para você, um ótimo final de semana!
    Um abraço carinhoso

    ResponderExcluir
  19. Passei por aqui novamente. Beijos.

    ResponderExcluir
  20. Já foi porta bandeira e aqui deixa transparecer que é muito inteligente, os seu textos estão muito bem redigidos. Merece toda a atenção.
    Voltarei.
    Beijo

    ResponderExcluir
  21. .


    Ser lido é bom, mas ler
    é imprescindível.

    silvioafonso






    .

    ResponderExcluir
  22. Que lindo isso!

    Você, suas palavras ilusivas.
    E o "escutatório" do Rubens.

    Não sei o que dizer.
    Eu vou escrever.

    Beijos, adorei te ler!
    :)

    ResponderExcluir
  23. é sempre motivo de Alegria (imensa) saber que você voltou.

    bjssss

    ResponderExcluir